quarta-feira, 4 de maio de 2011

Intervenção no extradorso da Cobertura da Escadaria Nobre

A intervenção nas coberturas tem por objectivo a reparação/tratamento das peças estruturais e secundárias, procurando evitar-se a entrada de água sem compromisso para a necessária ventilação dos elementos em madeira. Nos vãos de iluminação e na clarabóia da Escadaria Nobre, preconiza-se o tratamento/substituição dos elementos metálicos das caixilharias, e substituição integral dos vidros existentes, por outros com configuração semelhante, mas de comportamento mais eficaz, no que respeita a segurança, desempenho e conforto térmico e acústico. Os elementos decorativos serão tratados por um corpo técnico especializado na área disciplinar em que se inserem, e os painéis decorativos em madeira serão igualmente intervencionados.
A intervenção irá incidir com particular atenção na rede de drenagem de águas pluviais da cobertura, através da introdução de novos caleiros, algerozes, e rufagem solidarizada com os elementos emergentes.

   © Luis Ferreira Alves

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Intervenção no extradorso da Sala Medina

Nos vãos de iluminação e na clarabóia da sala Medina e sala anexa, preconiza-se o tratamento/substituição dos elementos metálicos das claraboias, e substituição integral dos vidros existentes, por outros com configuração semelhante, mas de comportamento mais eficaz, no que respeita a segurança, desempenho e conforto térmico e acústico. Os elementos decorativos nos tectos da sala serão tratados por um corpo técnico especializado na área disciplinar em que se inserem, e a estrutura principal e secundária em madeira (incluindo colocação de tela respirante), revestimento em telha cerâmica cobertura, e funilarias da rede de drenagem de pluviais serão intervencionadas. Nas empenas que delimitam esta área de intervenção, serão removidas as chapas existentes e será introduzido um sistema revestido a zinco, após impermeabilização do suporte em alvenaria de pedra, através de revestimento em argamassa de cal hidrófuga, permeável ao vapor de água.

                   © Luis Ferreira Alves

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Intervenção nas fachadas Sul e Poente

Os rebocos novos a introduzir serão à base de cal, assegurando um bom equilíbrio hídrico, e nos panos a pintar de novo, após escovagem será aplicada uma tinta à base de água própria para exteriores.

               © Luis Ferreira Alves

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Cúpula da Escadaria Nobre

A abóbada da escadaria nobre apresenta pinturas da autoria de António Ramalho1, retratista de traço emotivo e melancólico que se notabilizou por quadros de temática realista, onde abundam as paisagens marítimas e os retratos de mulheres e crianças. O Naturalismo caracteriza-se pela observação fiel da realidade, através da representação da natureza sem recurso à idealização do Romantismo, captando-se a chamada “realidade objectiva”. As pinturas representam a Cultura, a Industria, a Agricultura e a Pátria.
Estas representações são compostas por figurações femininas centrais sempre acompanhadas por determinados objectos específicos ou a desempenhar determinadas tarefas que caracterizam a temática da dita representação pictórica. A Cultura é constituída por uma mulher sentada numa espécie de trono com um livro aberto onde escreve com uma pena que tem na mão direita, recebe um possível comerciante árabe que se faz acompanhar por um elefante. A Indústria é composta por uma mulher sentada, trajando roupa de operária fabril, é acompanhada por um maço e uma roda, insere-se numa paisagem onde se vislumbram chaminés de fábricas a fumegar. A Agricultura é constituída por uma mulher sentada a ceifar cereais, é envolvida por uma paisagem de campos agrícolas. A Pátria apresenta uma mulher com longas asas brancas, tem na mão esquerda um ramo de loureiro e a mão direita ampara o Brasão de Portugal. Os restantes gomos são similares a nível de decoração, apresentando uma grinalda de elementos vegetalistas que emerge de uma espécie de elemento arquitectónico cujo tímpano é preenchido por medalhão com busto masculino com chapéu com asas de anjo.
Identifica-se a assinatura do pintor e data em três pontos da abóbada, duas delas com data de Março 1908 e Abril 1909, data provável da duração da execução da pintura (inicio e fim).
Tecnicamente a pintura é executada sobre tela, colada e pregada directamente sobre a superfície abobadada.
A tela tem dimensão aproximada de 4 metros de comprimento de tear, sendo composto por quatro elementos nos painéis de maior dimensão, com a representação da “Pátria” e da “Cultura”, com as seguintes dimensões: 0,70 x 4m x 4m x 0,80.
A pintura terá sido executada provavelmente através de técnica mista, velaturas, transparências a têmpera, zonas de sombras e de maior densidade poderá ser conseguido através da utilização de têmperas ou com algum aglutinante oleico. Deverá ser identificada a técnica de execução da pintura, através da caracterização de pigmentos e aglutinantes utilizados.

1 Pintor discípulo de Silva Porto, nasceu em 1858, em Barqueiros no seio de uma família pobre. Notabilizou-se por quadros de temática realista, onde abundam as paisagens marítimas e os retratos de mulheres e crianças. Entre as obras mais relevantes estão O Lanterneiro e o retrato de D. Helena Pinto de Miranda. Enquanto decorador salienta-se pelas pinturas realizadas nos tectos do Teatro Garcia de Resende, em Évora, e a abóbada do Palácio da Bolsa, no Porto. Faleceu em 1916.

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cobertura da Escadaria Nobre

A cobertura da Escadaria Nobre apresenta planta octogonal, rematada com oito águas revestidas a telha cerâmica tipo Marselha e é pontuada por uma clarabóia que ilumina a escadaria. Os paramentos verticais são constituídos por paredes de alvenaria de granito com revestimento de reboco, e vãos envidraçados com caixilharia metálica. A clarabóia octogonal apresenta também vãos envidraçados, com caixilharia de coroamento constituída por elementos metálicos, e os paramentos verticais do elemento são constituídos por pilares, vigas e reguado de madeira. Nas paredes de alvenaria de granito da cobertura da Escadaria Nobre encontram-se apoiadas três estruturas de madeira de castanho (Castanea sativa Mill), que, apesar de terem funções distintas, estão interligadas de forma integrada. O revestimento em telha cerâmica tipo Marselha apoia-se em ripas assentes em guarda-pó, apresentando uma caleira periférica em chumbo ligada a tubos de queda que se desenvolvem no interior dos elementos construtivos, e a ligação do telhado com a clarabóia é rematada com rufagem de zinco. No interior do desvão e no alinhamento dos óculos de iluminação da Escadaria Nobre, encontram-se cabines de inspecção, com tectos e paredes em tabique de taipa.

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Cobertura da Sala Medina

 
A cobertura da Sala Medina apresenta uma planta rectangular e telhado de quatro águas, possuindo uma clarabóia constituída por elementos metálicos. Junto a esta cobertura existe uma outra mais reduzida que também possui uma pequena clarabóia, sendo que ambas não têm desvão acessível. A estrutura da cobertura é constituída por vigas treliçadas de madeira, de configuração semelhante às da cobertura da Escadaria Nobre, assim como o seu revestimento.
A intervenção nas coberturas tem por objectivo a reparação/tratamento das peças estruturais e secundárias, procurando evitar-se a entrada de água sem compromisso para a necessária ventilação dos elementos em madeira.

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Fachadas Sul e Poente


As fachadas do edifício do Palácio da Bolsa são constituídas por paredes resistentes em alvenaria de granito com revestimento em reboco pintado. A cantaria aparente enfatiza os elementos particulares e decorativos de maior relevo, tais como embasamentos, cunhais e pilastras, molduras de vãos, sacadas e frontões. Considerando os parâmetros de avaliação, nomeadamente fissuração visual do material, descolamento do reboco do seu suporte e destacamento ou queda do material, foram identificadas as áreas de intervenção, sendo que os rebocos se encontram, globalmente, em bom estado.

   © Luis Ferreira Alves

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Caracterização da intervenção



Inserido na segunda fase da Reabilitação do Palácio da Bolsa, o Projecto de Arquitectura elaborado pela Afaplan para a Associação Comercial do Porto centra-se em áreas distintas do imóvel, nomeadamente na cobertura da Escadaria Nobre, cobertura da Sala Medina e rebocos nas fachadas Poente e Sul, tendo como suporte o Relatório de Inspecção e Diagnóstico elaborado pelo Instituto da Construção da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, que integra um levantamento rigoroso dos materiais, esquemas construtivos e estruturais do edifício e suas patologias. Reabilitação, por definição, corresponde à melhoria do estado de serviço de um edifício, e o Projecto elaborado preconiza uma intervenção transversal aos elementos das áreas a intervencionar, dos mais visíveis, ornamentais e representativos, aos de carácter mais tectónico e estrutural.
Apesar de ter sofrido alterações ao longo da sua existência, a coerência expressiva do conjunto edificado tem sido mantida de forma exemplar pelas sucessivas Direcções da Instituição, procurando-se que a dinâmica dos tempos não venha aqui a ter o seu epílogo, e constituindo a presente intervenção aqui ilustrada  uma passagem daquilo que se espera ser uma ainda longa existência.